Substância, essência e acidente

Aristóteles foi um filósofo que muito se ocupou de entender as relações metafísicas de causa, finalidade e a natureza das coisas. Com sua metafísica focava-se nas possibilidades e fundamentos que as coisas teriam ou poderiam assumir. Sua definição de substância é uma das mais ricas na filosofia, a essência e o acidente seriam suplementares quanto à natureza dela.

Para o que se entender o que é o ser aristotélico, deve se partir do pressuposto da substância, que é algo em si mesmo, e a partir disso a matéria se molda numa forma. É na substância que agem as quatro causas, a potência e o ato. Substância é tudo aquilo que existe, e possuindo propriedades, algumas obrigatórias e outras não.

As tais propriedades são: Essência é o que se refere quanto a uma propriedade intrínseca e inerente para uma certa substância. A essência de uma substância é sua qualidade imutável , por reger os fundamentos daquela substância específica. Tendo como contraponto, o acidente é toda característica secundária e que age sobre a substância como agente modificador, porém, sem alterar sua essência. Assim, ser um humano é um exemplo de propriedade essencial (pois é um atributo fundamental para a definição desta substância), o fato desta pessoa ter uma boa saúde ou uma péssima visão se referem à propriedades acidentais deste (pois o fato dele ter uma boa saúde e uma visão ruim não é obrigatório).
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Brasil Escola
Base da Filosofia
Filosofia no boteco
"Fundamentos da Filosofia:Manual do Professor" - Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes, Editora Saraiva
"Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna" - Ubaldo Nicola, Globo Editora

Postagem feita ao dia 30/04/2013 às 23:49

Matéria e forma

Aristóteles foi um filósofo que muito se ocupou de entender as relações metafísicas de causa, finalidade e a natureza das coisas. Com sua metafísica focava-se nas possibilidades e fundamentos que as coisas teriam ou poderiam assumir. Com o conceito de matéria e forma, deu resposta aos princípios que determinam "o que é" cada coisa.

Interessado pelas questão que envolvem o ser e o que ele é, Aristóteles pondera. Seu mestre, Platão, dizia que as coisas existiam para os sentidos e como ideias em planos distintos, sendo o plano ideal perfeito e o plano empírico apenas uma réplica imperfeita das coisas idealizadas. Como seu mestre, Aristóteles era convicto quanto a existência de ideias eternas, mas não desprezou o mundo sensível. As coisas para ele seriam definidas pelo o que são tanto para o mundo material quanto em conceito do que elas são. Cada um destes preceitos intrínsecos às coisas existe de forma paralela, embora sejam indissociáveis, pois cada um complementa o outro. Assim se define uma síntese para a matéria e a forma, que se definem da seguinte forma: Matéria é o substrato determinante qual cada coisa possui, que embora indefinível aos sentidos, ela pode ser percebida pela forma que ela acaba dando origem. A forma é o que Aristóteles considerou o princípio determinante por si próprio, embora dependente da matéria, pois é em outras palavras o aspecto que ela toma quanto sua aparência.

Esse seu pensamento passaria a constituir o hilemorfismo (da junção de ύλη - hylé - que em grego significa "matéria" e μορφή - morphé - que significa "forma"), que concebe a substância, que por sua vez é qualquer coisa que exista, possui duas naturezas que se relacionam, pois a matéria é aquilo que compõe o ser, como a matéria orgânica dos seres vivos ou a pedra que deu forma para uma escultura. A forma seria aquilo para o que a matéria acaba por dar forma, como a escultura que é constituída pela pedra ou os compostos orgânicos de um ser vivo.
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Projeto Filosofia
Mundo Educação
Filosofia no boteco
"Fundamentos da Filosofia:Manual do Professor" - Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes, Editora Saraiva
"Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna" - Ubaldo Nicola, Globo Editora

Postagem feita ao dia 29/04/2013 às 22:18

Potência e ato

Aristóteles foi um filósofo que muito se ocupou de entender as relações metafísicas de causa, finalidade e a natureza das coisas. Com sua metafísica focava-se nas possibilidades e fundamentos que as coisas teriam ou poderiam assumir. Uma de suas asserções quanto as questões metafísicas são os conceitos de potência e ato, quanto ao ser e possibilidade de ser de alguma coisa.

Retoma o clássico problema dos filósofos gregos da dualidade entre permanência e mudança, tratados por filósofos como Parmênides, Heráclito e seu mestre Platão, de quem discordou da acepção idealista da existência. Assumiu como resposta que as coisas em si mudam, afirmando que a matéria se encontra em movimento ou repouso quanto seu estado de permanência.

Interessado pela questão da existência, Aristóteles filosofava para responder quantos aos tipos de seres que existem ou podem existir, e assim concluiu que toda a matéria que dá forma para os seres (vivos ou brutos) no mundo assumem aparências que embora estejam sempre condicionadas a transição, todas suas transformações de estado constituem o mesmo corpo e mesma porção de matéria. Para explicar isso, Aristóteles introduz os conceitos de potência e ato: Potência é a capacidade que a matéria tem de assumir alguma forma e se manifestar, sendo um conjunto de possibilidades do que ela pode vir a ser. É tudo aquilo no que a matéria pode aparentar. O ato seria uma possibilidade manifesta de uma potência, representando a forma constituída por um corpo.

Com tais conceitos, Aristóteles conclui em dizer que todas as coisas são ato, foram atos diferentes em momentos no passado e representaram atos diferentes no futuro. A potência é a possibilidade de coisas que se pode ser e vir a se tornar. Por exemplo uma semente, que embora sua potência o permita assumir forma de plantas, seus atos podem ser diversos; uma semente pode ser de um pinheiro, uma figueira, um cacto e uma diversidade de plantas. Assim como também uma estátua de bronze que ao ser derretida pode ser utilizada para formar uma espada, um instrumento musical ou outra estátua diferente por exemplo.
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Brasil Escola
Mundo Educação
Filosofia no boteco
"Fundamentos da Filosofia:Manual do Professor" - Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes, Editora Saraiva
"Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna" - Ubaldo Nicola, Globo Editora

Postagem feita ao dia 28/04/2013 às 21:31

Modo de produção asiático

Para Karl Marx, houveram até os dias de hoje cinco modos de produção ao longo da história. Um deles é o modo de produção asiático, um meio-termo entre o modo primitivo e o escravista, surgido nos primórdios das civilizações humanas.

Sua principal característica é a sua base agrícola, aonde o povo era  sujeito à trabalhar na terra para tanto o sustento deles como o das elites, predominantemente sacerdotais e ao governante, sendo que as sociedades que desenvolveram esse modo de produção tiveram em sua ordem social política forte fundamentação teocrática. A propriedade era pública, que era aproveitável ao mesmo tempo para todos poderem cultivar e fazer seus trabalhos e dar como tributo ao Estado parte da produção mais impostos à serem pagos. Tanto escravos como camponeses, qualquer um abaixo das elites, era sobre eles imposto trabalho compulsivo sobre as terras, a produção e atividades agrárias ou o cuidado com os animais.

Civilizações como a do Antigo Egito eram
rigidamente ordenadas pela relação do Estado
em submeter seu povo como meio de produção.
A organização social aqui já apresenta divisão de classes e de trabalho, porém, ela é bastante simples. No topo da hierarquia destas sociedades estavam os sacerdotes e os governantes, que detinham poderes religiosos, políticos e em muitos casos militar. Os sacerdotes eram tidos como aqueles que adivinhassem e buscassem dar para os homens a palavra dos deuses, enquanto o governante era tido como um regente legitimado pela autoridade dos seus deuses ou considerado de alguma forma um deus em forma humana. A propriedade da terra era do Estado, e todos que lá trabalhavam estariam diretamente laborando para o mesmo. As sociedades marcadas pelo modo de produção asiático eram caracterizadas, de forma política, por um modelo teocrático e um tipo de governo chamado de despotismo oriental. Embora os camponeses fossem explorados, tinham direitos como abrigo, comida e saúde de garantia estatal.

Sobre os camponeses forte coerção de uma elite que se mantem no poder com argumentos religiosos, cuja dessa exploração estaria a produção de todas as sociedades que seguiam como modelo o modo de produção asiático. Neste modo de produção, suas sociedades são fortemente estratificadas. A atividade comercial aqui era complementar, e assim como no dia-a-dia, as trocas eram feitas por escambo de produtos específicos ou peças de metal.

Recebe o nome de "asiático" justamente porque esse modo de produção foi bem característico em civilizações originárias deste continente, como aquelas surgidas no Crescente Fértil e em geral em todo o antigo Oriente Médio, embora também se desenvolvesse na Índia, na China, no Egito, nas grandes civilizações da África (o caso dos impérios de Gana, Songhai e Mali) e da América pré-colombiana que se desenvolveram na Mesoamérica (maias, astecas, olmecas, etc) ou nos Andes (caso dos incas).

O declínio do modo de produção asiático aconteceu por fatores diferentes em épocas diferentes em todas as civilizações que o praticaram, como as civilizações pré-colombianas já citadas, cujo modo de produção mudou com a invasão e dominação espanhola e a consequente introdução ao mercantilismo. O declínio do modo de produção asiático pode ocorrer de forma simples ou desdobrada, devida a condição estável condição das forças produtivas em suas sociedades, o que as tornas frágeis. A forma simples é mais lenta e gradual, pois se fundamente numa luta de classes entre os camponeses e a instituição estatal, que geraria impostos mais elevados até os camponeses se revoltarem para que a propriedade seja privatizada. Na forma desdobrada, homens que tomassem conta das terras pertencentes ao Estado cuidariam destas de uma forma cada vez mais autônoma, que com uma participação menor do governo tornariam-se proprietários destas terras, as tornando propriedades privadas.
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Modo de produção asiático na Wikipédia
Cola da Web
Apostilas COC

Postagem feita ao dia 31/03/2013 às 20:27

O homem é um animal político

A famosa afirmação de Aristóteles de que o homem é um animal político e está destinado a viver em sociedade, feita com base na observação de que somos seres que precisamos de outros para alguma coisas, ou seja, somos interdependentes de outros e naturalmente fadados em viver com semelhantes.

Aristóteles, primeiramente, reconhece a natureza do homem como um animal que convive com outros de sua espécie, vivendo entre si em sociedade. Isso faz com que a sociedade preceda o indivíduo, logo é natural para nós o convívio com a sociedade, fazendo com que aqueles que não se encaixam ao convívio em comunidade serem considerados pelo filósofo como um "bruto" ou como um "deus", comparações extremas e em dois pontos distintos da condição do ser humano, no qual como um "bruto" se colocaria como os animais selvagens assim como um "deus" se colocaria como algo superior aos demais meros mortais. Compreender a isso faz entender melhor a segunda afirmação do homem ser um animal político, que é a de que ele está "destinado a viver em sociedade". Logo, "o homem é um animal político, destinado a viver em sociedade".

Para compreender a finalidade de uma comunidade, Aristóteles recorre para sua metafísica das quatro causas, aonde leva em conta que toda comunidade visa o bem comum, qual se exerce pela virtude, prudência e justiça. Estas seriam exercidas pelos cidadãos. O conceito de cidadania não só em Atenas, mas em todas as cidades-Estado da gregas antigas era algo embora variado, era sempre restrito. No caso ateniense, somente os homens, que fossem maiores de dezoito anos, lá nascidos e fossem homens-livres seriam considerados cidadão; ou seja, o direito à cidadania era algo exclusivo dos eupátridas.

Aristóteles vivia em Atenas na condição de meteco, isto é, um estrangeiro, e por isso não tinha direitos políticos por lá, mas mesmo assim, não deixava de dar importância para a vida política. Sendo assim, somente os que por direito são cidadãos são aqueles que fazem a política, que interferem nela para que ela cumpra cada vez mais o sua finalidade de estabelecer direitos e leis para dar ordem que se cumpra com todos. Esse bem atende à cidade, soberana sobre todas as comunidades que a compõe, e para Aristóteles o todo se tem uma  importância maior do que a parte. Assim, ele divide aqueles que são capazes e competentes para comandar e intervir na vida pública, os cidadãos, e aqueles que servem para obedecerem a soberania da cidade, os habitantes.

Assim seria pois seria a ordem natural da condição do homem quanto ser que coexiste com outros de sua espécie, que possui como causa final deste convívio a harmonia e o bem entre os indivíduos do meio aonde vivem. Famílias, aldeias, bairros entre outras partes que compõe a pólis estariam integradas nela, e embora todas procurassem também o bem pessoal, o bem da pólis como um todo viria em primeiro lugar, pelo qual sua organização colaboraria para o ser humano ser mais virtuoso.

A respeito da condição social do ser humano, Aristóteles escreveu na sua "Política" que:

”Na ordem da natureza, o Estado se coloca antes da família e antes de cada indivíduo, pois que o todo deve, forçosamente, ser colocado antes da parte.
[...]Evidentemente o Estado está na ordem da natureza e antes do indivíduo; porque, se cada indivíduo isolado não se basta a si mesmo, assim também dar-se-á com as partes em relação ao todo. Ora, aquele que não pode viver em sociedade, ou que nada precisa por bastar-se a si próprio, não faz parte do Estado; é um bruto ou um deus. A natureza compele todos assim todos os homens a se associarem. Àquele que primeiro estabeleceu isso se deve maior bem; porque se o homem, tendo atingido a sua perfeição, é o mais excelente de todos os animas, também é o pior quando vive isolado, sem leis e sem justiça. [...] As armas que a natureza dá ao homem são a prudência e a virtude. Sem virtude, ele é o mais ímpio e feroz de todos os seres vivos; não sabe mais, por sua vergonha, que amar e comer. A justiça é a base da sociedade.”
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Brasil Escola
Revista Filosofia
"Política" - Aristóteles

Postagem feita ao dia 31/03/2013 às 18:59

Modo de produção primitivo

Para Karl Marx, houveram até os dias de hoje cinco modos de produção ao longo da história. Um deles é o modo de produção primitivo, surgido na pré-história do homem, de quando ele surgiu no planeta durante o paleolítico até quando este começou a trabalhar na terra e a dividir entre si o trabalho e a criar uma pirâmide social.

Como já dito, esse é historicamente o primeiro modo de produção em que a humanidade viveu, ainda nos tempos pré-históricos. Existiu durante muitos anos, tendo como característica principal a ausência de classes sociais. Os frutos do trabalho eram coletivos e todos zelavam pela sobrevivência não apenas individual, mas de todo o grupo onde estava integrado, como na hora de partilhar a caça ou de manter o fogo para que os aquecessem. Eram nômades, ao menos ainda no paleolítico, e a produção deles se baseava no que conseguiam obter nas caçadas, colheitas e pescas. Outra qualidade notável do modo de produção primitivo é a ausência de Estado e propriedade estatal ou privada, que era ainda coletiva, o que faz esse modo de produção também ser chamado de comunismo primitivo. Caçavam e colhiam apenas que fosse para consumo imediato e em quantidade necessária para a subsistência pessoal e do grupo.

Os homens primitivos apenas buscavam produzir
e recolher o necessário, e o bem era partilhado para todos.
Como em seus primórdios o homem ainda não fabricava armas mais sofisticadas como as que começaria na Idade dos Metais, eles apenas usavam pedras polidas ou lascadas para dar base como armas, pois afinal, eles ainda não haviam desenvolvido a metalurgia. O fogo também era utilizado como arma, e também, para aquecer o bando durante as noites, sendo que até haviam indivíduos que se responsabilizavam por manter a fogueira de seu grupo sempre acessa. A forma de vida era selvagem, e logo, o ser humano era exposto à hostilidade da natureza e suas feras, qual muitas vezes lutavam uns entre si pela sobrevivência. Isso dava unidade aos nossos antepassados, que se juntavam nas caças para garantir não só o alimento deles, mas de todo o seu grupo também, o que era motivo de festejo quando os caçadores traziam comida para a tribo. A função de caçar era feita pelo homens, sendo que começavam a acompanhar os mais adultos nas caçadas ainda na juventude. As mulheres cuidavam das crianças e, quando mais tarde se foi desenvolvida a agricultura, eram as responsáveis por semear e colher na terra.

Porém, essa realidade estaria para mudar com a revolução neolítica, período em que o homem desenvolve a prática da agricultura. Com ela, começam a se fixar e terem noção de territórios, se tornando sedentários. Daí então surge a necessidade de dividir o trabalho; determinar aqueles que irão trabalhar com a terra, os que a protegerão e até os que coordenarão a organização que aquela comunidade teria. Começa então o que conhecemos como sociedade, e as noções básicas da propriedade não ser um bem de todos e da distinção entre os seres humanos por classes sociais. Com tais acontecimentos o modo de produção primitivo termina, com o advento das primeiras civilizações.
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Modo de produção primitivo na Wikipédia
Cola da Web
"História para o Ensino Médio:História Geral e do Brasil" - Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigi, Editora Scipione

Postagem feita ao dia 23/03/2013 às 23:45

Mito da caverna

O mito da caverna, também conhecido como parábola da caverna ou alegoria da caverna é uma explicação de forma alegórica que Platão usa para descrever como o homem comum enxerga as coisas, como pessoas que observam sombras na caverna e acreditam que esta sejam formas verdadeiras, e os sábios, que veem o mundo fora da caverna e as coisas que dão forma para aquelas vistas na caverna.

Essa metáfora aparece na obra "República", num diálogo de Sócrates com Glauco, irmão mais novo de Platão, aonde seu mestre constrói a alegoria da caverna para seu irmão para tornar o diálogo mais didático. O motivo do discurso era enfatizar o processo de conhecer, mostrando que o ignorante vive sobre o senso comum e a pessoa sábia é alguém que sai na busca pela verdade.

Platão conta com essa alegoria sobre prisioneiros que vivem acorrentados na caverna desde o nascimento, e que de lá nunca saíram. Na caverna haveria um muro que criaria uma fresta por onde passaria a luz e as sombras projetadas daquilo que passasse pela caverna. Os sons do mundo afora também ecoam dentro da caverna onde vivem, e eles associariam como com aquilo que para eles seriam verdade, as sombras. O que seriam apenas sombras do mundo verdadeiro para eles seriam seres e objetos reais.

Imagine que por algum motivo algum desses prisioneiros que vivem na caverna fosse forçado a sair da caverna e entrassem em contato com o mundo externo. Ao sair, sua mente entraria em divergência ao se deparar com a luz e com tudo que ela mostra-os. A princípio, a claridade seria cegante, mas com o tempo, ele se adaptaria e passaria a perceber esse mundo novo que está ao seu redor. Prosseguiria com o seu caminho e veria pessoas, objetos e coisas e tudo mais que a luz do Sol o mostre, e uma hora viria a perceber que tudo aquilo que acreditou que fosse real não seriam nada mais do que sombras, imagens projetadas no fundo da caverna, de que se veria apenas a sombra da verdadeira forma das coisas, e que somente agora teria contemplado a realidade da forma que ela realmente é.

Ao voltar para a caverna, o prisioneiro iria compartilhar o que viu fora da caverna. Os outros prisioneiros não acreditariam em suas palavras, e isso faria ele ser morto por contestar um senso que para os demais seria absoluto. Talvez alguns outros prisioneiros o escutassem, e contra a vontade dos outros com a mente acorrentada à caverna, decidissem sair dela em rumo à realidade.

Gravura da caverna de Platão por Jan Saenredam.
O mito da caverna passa a mensagem de que o ser humano, em média, possui uma visão distorcida da realidade, de seus preceitos e da forma de percebê-la. Platão reforça com essa metáfora a sua teoria das ideias. Aproveita também para usar o mito da caverna como uma alegoria para a contar qual a missão dos filósofos, de mostrar a verdade para as pessoas. Comumente Platão recorre à criação de alegorias, e observando bem os elementos alegóricos do mito da caverna: A caverna seria o nosso mundo, aparente e sensível, e os prisioneiros seriam as pessoas que vivem nele. A saída do prisioneiro caverna afora e o contato com o mundo externo seria a ação iluminadora da filosofia, e o mundo fora da caverna seria o mundo inteligível das ideias, aonde se encontra a verdadeira forma das coisas e o Bem, o que conduz o homem ao conhecimento (no mito representado pelo Sol) e seria o agente que age sobre as verdades (o demiurgo). A atitude de voltar para a caverna e contar sobre o mundo fora dela seria análogo ao dever do filósofo.

Os fragmentos abaixo é retirado da "República", do trecho da conversa de Sócrates e Glauco aonde o filósofo Sócrates usa a analogia da caverna:

”Sócrates: Depois disso, falei, figure a nossa natureza com relação à experiência da educação e da ausência da educação. Pois, vê homens no subterrâneo, numa habitação em forma de caverna que abre para a luz, tendo uma grande saída. Nela, esses homens desde meninos têm as pernas e a cabeça acorrentadas de tal modo que ficam apenas a olhar para frente, incapazes de virar por causa da corrente. A luz de um fogo do alto e de longe e por trás deles os ilumina. Entre o fogo e os acorrentados há um caminho ascendente; ao longo qual, veja você, um pequeno muro construído tal como um tapume é colocado diante dos homens, sobre o qual fazem ver maravilhas.
Glauco: Vejo.
Sócrates: Veja agora, ao longo de todo esse pequeno muro, homens trazendo todo tipo de objetos por cima do pequeno muro – estátuas de homens e de animais, de pedra e de madeira e de todo tipo de lavor. Conforme a imagem, dentre os que são carregados ao longo do muro, há os que se pronunciam e os silenciosos.
Glauco: Impossível! Descreves uma imagem de homens acorrentados que não existem.
[...]Sócrates: E se a prisão tivesse eco na parede em frente a eles? Quando alguém dos passantes se pronunciasse, achas que eles tomariam de outra forma, senão, de que os que se pronunciavam eram as sombras que passavam?
Glauco: Por Zeus que sim!
Sócrates: De qualquer modo, aqueles somente tomariam como verdade as sombras dos objetos.
Glauco: Bem possível.
Sócrates: Investiga, pois, a soltura das correntes e como seria a cura da ignorância se entrassem em acordo consigo mesmo por natureza. Quando alguém soltasse um deles e o forçasse subitamente a se levantar e a virar o pescoço e a andar e olhar a luz. Fazendo isso tudo, sentiria dor, e por causa do brilho intenso da luz, seria incapaz de olhar fixamente para aquilo que antes via como sombras. Que acha que ele diria se alguém que falasse que antes via bobagens, mas agora estava muito próximo do real e virado para o mais real via mais corretamente e o forçasse com perguntas para ele responder acerca do que é cada coisa mostrada se passava? Não achas que ele ficaria sem saída e tomaria o que antes via como mais verdadeiro do que as coisas mostradas agora?
[...]Sócrates: Finalmente, acredito, poderia ver e contemplar o Sol, não seus simulacros na superfície da água, nem em outra parte, mas ele mesmo por si só conforme é, em seu lugar próprio.

Com isso, é mostrado que o homem comum é como o prisioneiro acorrentado na caverna, ingênuo de que sua visão do mundo é real, limitada ao senso comum, e isso faria com que estes, em condição de ignorância, tivessem dificuldade em entender ou aceitar o que o sábio o tivesse para lhes dizer, pois o sábio é alguém que nem sempre será compreendido pela maioria ignorante.
___________________________________________________________________________

Referências bibliográficas:
Mito da caverna na Wikipédia
Brasil Escola
Sua Pesquisa
"Fundamentos da Filosofia:Manual do Professor" - Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes, Editora Saraiva
"Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna" - Ubaldo Nicola, Globo Editora
"O Livro da Filosofia" - Douglas Burnham e Will Burnham, Globo Editora
"Filosofia e Ensino Médio: Uma proposta livro do aluno" - Mario Sergio Cortella, Editora Vozes
"A República" - Platão

Postagem feita ao dia 23/03/2013 às 22:47